A homossexualidade ainda gera polêmica e discussões em
todos os ambientes, nas classes sociais, nos meios
acadêmicos, locais de trabalho etc.
Muita gente fica se perguntando por que um rapaz quer
outro rapaz, ou por que uma garota quer outra garota?
Perguntam-se, ainda, se isto é uma doença ou se um
tratamento psicológico não daria resultado.
Infelizmente as pessoas perdem tanto tempo em
questionamentos medíocres e inúteis, focando-se na
homossexualidade e esquecendo-se de quem a vive: os
homossexuais, ou seja, seres humanos com sentimento,
buscando uma coisa como qualquer outro ser humano: a
felicidade!
As pessoas continuam presas em padrões estabelecidos
e imagens pré-concebidas: gay é vulgar; gay é promíscuo;
gay não presta; gay leva seu filho a se perder na
vida; gay é sem vergonha... e a lista de preconceitos
é tão grande que as pedras jogadas formariam uma
pedreira de ofensas.
Programas de televisão, como o sensacionalista
“Super Pop”, de Luciana Gimenez, colocam no palco
um grupo de gays e um grupo de evangélicos. Óbvio
que a intenção é fomentar discussões entre esses
grupos, gerando assim um aumento no índice do Ibope.
Porém, estas discussões não são produtivas, porque
apenas ficam atacando e defendendo, não promovendo
crescimento, aliás, cria-se mais rivalidade.
Outro dia, neste programa, havia homens que diziam-se
“ex-gays”. Absurdo! A ciência não cura o que não
é doença; e Jesus não muda o que o Pai dele criou!
Há também “filosofias de vida” que insistem em
afirmar que o gay não é gay, mas está gay! Se um
gay fizer um “trabalho mental” poderá deixar de
ser gay, como se fosse um vício. Chega a ser um
insulto a nossa racionalidade. Até a burrice deveria
ter limite... Sem contar que existem grupos de
“filosofias a favor da vida” que recusam, quando
realizam suas entrevistas, pessoas de orientação
sexual homossexual.
Fico me perguntando se realmente estão a favor
da vida! As maiores incoerências, geralmente,
encontraremos nessas pessoas tão “zens” que
pregam respeito, compreensão e blá, blá, blá, mas
que, na prática, são mesquinhas e discriminadoras.
Eduardo (todos os nomes são fictícios, porém a história
é verídica), natural de Pernambuco, namorou durante
sete anos Maurício; moravam em Valinhos. A família
de Eduardo sabia da orientação sexual do filho e
também que ele tinha um namorado. Após dois anos de
namoro, Eduardo convidou Maurício para ir a
Pernambuco visitar sua família. Apesar de estar com
receio da reação dos familiares de Eduardo, Maurício
aceitou. Quando lá chegaram, dona Santina (a mãe de
Eduardo), não estava em casa. Deixaram as malas no
quarto de hóspedes e foram andar pela cidadezinha. Ao
retornarem, quando passaram em frente ao quarto de hóspedes
não viram mais as malas. Desesperado, Maurício disse
a Eduardo: “Sua mãe deve tê-las jogado no
quintal!”. Nesse instante, vem dona Santina da
cozinha em direção ao quarto, abre um sorriso, abraça
o filho e o abençoa, e acolhe Maurício com o mesmo
abraço dado a Eduardo. Este pergunta à mãe: “Cadê
nossas malas?”, e ela responde: “Estão no meu
quarto, porque lá tem cama de casal, e é lá que vocês
vão ficar”.
Dona Santina não tem grau algum de escolaridade e
vive lá no sertão nordestino. O amor, minha gente, não
está ligado ao local geográfico ou ao grau de
escolaridade, mas simplesmente quem ama compreende e
aceita o outro como ele é, ponto final! Isso sim é
filosofia de vida! Isso sim é lição de vida! Dona
Santina tem sabedoria de vida e um coração repleto
de amor, e não uma cabeça cheia de teorias,
impossibilitando o coração de apenas amar. O coração
é puro e quer amar, compreender, sorrir e acolher!
Mas aí a razão fica colocando os empecilhos, os rótulos,
o que a sociedade pensa, o que os outros vão dizer, o
que vão pensar de mim etc.
Conheço gente que adora conversar com gay, porque o
considera um bom conselheiro. Porém, esta conversa é
sempre em lugar onde ninguém os veja. Depois, esta
mesma pessoa que foi tão bem acolhida pelo gay finge
que não o conhece quando está junto de seus amigos.
E sabe por quê? Porque ele, apesar de admirar o gay
enquanto pessoa e amigo, fica com medo que seus amigos
façam piadinhas ou gozações, do tipo: “Xiii, não
sei não hein?!”
E assim a sociedade vai agindo em relação aos
homossexuais. Garanto que tem gente que leu este
artigo e ainda irá responder a pergunta feita no título
desta forma: “Gay tem cura sim: uma boa surra dá
jeito nessa sem vergonhice”. Gay, minha gente, não
se cura, ama-se !
André Carlos Massolini
amassolini@uol.com.br
Veja
um premiado vídeo contra o preconceito homossexual: