Neurotomia
Seletiva Peniana
Por
Dr. Jorge Gioscia Filho - jgioscia@ibest.com.br
A ejaculação precoce (EP) tem sido considerada como afecção
de natureza psico-emocional embora vários autores já
pressuponham a possibilidade de um componente de caráter
orgânico na gênese da afecção, baseados no pressuposto
da ocorrência de uma situação de hiper-excitabilidade p/
os impulsos provenientes da área genital.
Segundo o
conceito de Godipodinoff (1989) e Williams (1984) os
ejaculadores precoces primários são indivíduos que
apresentam diminuições da latência ejaculatória de forma
recorrente e persistente, desde o início de suas vidas
sexuais, em quaisquer circunstâncias. Desnecessário falar
das situações embaraçosas no transcurso de relações
sexuais de curtíssimo período o que leva uma quantidade
significativa de pacientes à procura de ajuda.
As várias formas de tratamento da Ejaculação Precoce
apresentam resultados habitualmente precários. Dentre as técnicas
propostas p/ o tratamento da Ejaculação Precoce desde um
ponto de vista psicoterápico, encontram-se enfoques do tipo
psicanalítico, gestáltico, behavioristas e técnicas de
reeducação sexual. Na prática, em geral, os resultados
podem ser satisfatórios se bem conduzidos pelo Terapeuta
Sexual mas são desanimadores e decepcionantes quando
existe, verdadeiramente, uma hiper-excitabilidade nervosa.
O tratamento mais utilizado ainda em nossos dias tem sido
a técnica da pausa, introduzida por Semans (1956) e
modificada por Masters & Johnson para a técnica do
?pause-squeeze? ou ?stop-start?(1976). Do ponto de vista
farmacoterápico, inúmeras drogas tem sido utilizadas no
tratamento da Ejaculação Precoce como os anti-depressivos
tricíclicos, de modo geral com efeitos discretos transitórios
e ações colaterais que habitualmente levam ao abandono do
tratamento.
Na prática, os pacientes utilizam artifícios no sentido
de melhorar sua performance sexual, conhecidos como métodos
de bom senso, sendo que todos apresentam em comum, a
tentativa de tornar o pênis menos sensível, estabelecendo
seu isolamento em relação à parede de contato, vaginal ou
anal. Esses métodos variam desde o uso de preservativos, e
sobre-posição de mais de um à aplicação de anestésicos
tópicos, o que as vezes permite a obtenção de uma relação
sexual mais satisfatória. O uso de bebidas alcoólicas também
é referido por alguns pacientes como fator de melhora.
Como para qualquer tratamento bem sucedido, a indicação
cirúrgica deve ser baseada em uma avaliação precisa. Essa
avaliação é realizada por teste de ereção fármaco-induzida
com cloridrato de papaverina até obter-se uma ereção com
capacidade de penetração, avaliação urológica, dosagens
hormonais (prolactina, testosterona, hormônio folículo-estimulante,
hormônio luteinizante) e fluxometria peniana e avaliação
do LSNDP (Limiar de Sensibilidade dos Nervos Dorsais do Pênis),
segundo a técnica de Gerstenberg (Gerstenberg et al.,
1989), para quem os valores normais se situam entre 3.0 e
4.20 mA.. Apenas os ejaculadores chamados verdadeiros com
medidas do LSNDP e/ou respostas "vivas" do reflexo
bulbo-cavernoso ou do reflexo de Hoffman, seriam sugestivos
de quadro de Ejaculação Precoce Primária.
Na nossa experiência,
com relação às latências ejaculatórias, 15,9%
ejaculavam durante ou antes da penetração. Um percentual
de 68,13% dos pacientes apresentavam latências ejaculatórias
de 0 a 1 minuto após a penetração e 13,6% de 1 a 2
minutos. Apenas 2,37% dos pacientes ejaculavam após 3
minutos da penetração.
Os pacientes c/ indicação de Neurotomia Seletiva
Peniana foram submetidos a uma intervenção cirúrgica por
via distal segundo a técnica da postectomia clássica, até
a exposição do feixe vásculo-nervoso. Neste nível são
identificados os nervos dorsais do pênis, seus ramos e os
nervos perineais. Estes ramos são cauterizados e ressecados
no sentido distal a partir do terço médio do corpo
peniano, deixando-se intactos apenas os dois ramos
principais, direito e esquerdo. Realiza-se a seguir sutura
por planos. É aplicado um curativo compressivo que será
retirado no quinto dia do pós-operatório. O
paciente é liberado p/ a atividade sexual do trigésimo
ao quadragésimo dia do pós-operatório.
A melhora foi avaliada pelo aumento das latências
ejaculatórias obtidas após a cirurgia. Dos pacientes
submetidos à cirurgia, 32% dos casos, tiveram tempos
ejaculatórios na faixa de 10 a 30 minutos ou mais após a
penetração, resultados considerados muito bons; 45,4%
apresentaram tempos de ejaculação entre 3 e 10 minutos
resultados considerados bons; 9,3% apresentaram tempo de latência
situados entre 2 e 3 minutos, caracterizado como regular.
Embora sejam descritos centros corticais cuja estimulação
possa determinar a ejaculação, o que explica a permanência
da mesma após a anestesia da glande e a amputação do pênis
distal, o reflexo ejaculatório normal depende da estimulação
aferente que tem origem nas regiões inervadas pelos nervos
pudendos e dorsais do pênis diferentemente do reflexo de
ereção que tem sua área receptiva nos corpos cavernosos.
A neurotomia dos nervos penianos atua diminuindo o impulso
sensitivo para o sistema nervoso central dos estímulos
provenientes da região genital. Consideramos, pois, este
tipo de cirurgia como uma alternativa no tratamento da
Ejaculação Precoce Primária, que traz resultados satisfatórios
em grande número dos casos, comparados aos resultados
obtidos através dos tratamentos tradicionais, melhorando a
vida sexual de uma significativa parcela da população
masculina.
Dr. Jorge Gioscia-Filho
Medicina sexual
Cirurgia vascular
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