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HOMOSSEXUALIDADE
FEMININA
Existem várias teorias do porque uma pessoa é homossexual.
Seja por influência ambiental, genética ou da formação
psicológica; uma coisa é certa, ninguém opta por ser
homossexual.
A aceitação de casais homossexuais masculinos sempre foi
maior, como se identifica na mídia escrita ou falada. Ao
contrário, o preconceito contra o homossexualismo feminino
ainda persiste na sociedade e nas leis que ainda fecham os
olhos para sua existência.
A expressão lesbianismo deriva de Lesbos, ilha grega que
tinha como chefe uma poetisa de nome Safo. Esta musa
escreveu versos que contam livremente o amor entre mulheres
e, seus amores e paixões por sua companheiras ( seis
séculos atrás). Daí os nomes safismo, sáfico, safista e
lesbismo, lesbianismo, lesbiana, lésbica, passarem a ser
usados como sinônimos de tribadismo (ato de uma mulher
“roçar” em outra).
Em meio a vários conceitos, penso serem dois mais
coerentes. Lílian Federmam (1981) define o amor sáfico:
“O lesbianismo descreve uma relação na qual duas
mulheres trocam fortes emoções e afetos entre si. O
contato sexual pode ser parte dessa relação num maior ou
menor grau, ou pode estar inteiramente ausente”. Nesta
mesma perspectiva, o “Grupo de Luta pela Libertação
Lesbiana” de Barcelona (1981) aprofundou: “A lésbica não
persegue o prazer sexual como finalidade única na relação
com a companheira. Seu objetivo não é tanto o sexo, senão
a busca de níveis profundos de comunicação, esferas de
ternura, carinho e delicadeza. A essência do amor lésbico
é a pura sensibilidade. Poder-se-ia dizer que a lesbiana
sexualiza a amizade, pois a relação sexual nasce de um
sentimento profundo que tem sua base no amor.”
Charlote Wolff bem definiu em seu livro – Amor entre
mulheres – “...não é o homossexualismo, mas o
homoemocionalismo, que constitui o centro e a própria essência
do amor das mulheres entre si.”
O assunto Homossexualismo Feminino vem sendo apresentado na
mídia no sentido de que se discutam o assunto para uma
regulamentação da união homossexual. É imprescindível
dar cidadania ao homossexual. Alguns países já possuem
legislações nesse sentido, que normatizam essas uniões.
Na Holanda já existe até lei para adoção de crianças
por casais homossexuais - a adoção pode ocorrer desde que
os parceiros estejam casados ou vivendo juntos. No Brasil só
temos um projeto da Deputada Marta Suplicy no sentido de
legalizar essas uniões, mas que muito tem que percorrer até
sair das mesas dos dirigentes.
Um ponto importante a ser discutido e que fazem esses papéis
não serem aprovados é a existência dos preconceitos
(mitos) mais relevantes:
1-
Gays e Lésbicas são heterossexuais frustrados
– FALSO – os homossexuais são pessoas que simplesmente
têm um desejo natural por pessoas do mesmo sexo e que ficarão
frustrados se não viverem esse desejo.
2-
Homossexualidade é uma questão de opção –
FALSO – a opção é a de viverem ou não, plenamente esse
desejo, que é natural.
Em relação à adoção de filhos por casais homossexuais
femininos, Carolina J.Barboza e Tânia Aldrughi, fizeram uma
pesquisa com três casais observando dados importantíssimos
nesse processo:
1-
A definição sexual independe de a criação ter
sido realizada por pais homo ou heterossexuais. Os pais
homossexuais são mais atentos com os filhos no sentido de
ensinarem a confiarem mais em si próprios e em seus
sentidos, para que consigam não sofrer com os preconceitos
que possivelmente venham a ser vítimas.
2-
O grande papel de uma mãe formadora de uma família
alternativa é mostrar aos filhos o quanto está feliz
levando a vida da maneira que leva, e que sua relação é
saudável e positiva.
3-
Quanto mais natural for o comportamento dos pais em
relação à família que estão inseridos, mais fácil para
o filho compreender que pertence a algo natural e saudável.
4-
A família é uma referência que vai permanecer por
toda a vida do indivíduo. É fundamental que essa referência
seja internalizada como algo positivo.
5-
Não há divisão rígida de papéis entre as
parceiras. O importante é a função dos pais como
fomentadores da socialização da criança, de uma forma
indiferenciada.
6-
O papel dos pais como facilitadores dos filhos para
lidarem com o preconceito : o importante é a verdade e a
aceitação.
Essas famílias homossexuais femininas surgem numa tentativa
de viver de maneira mais natural possível, não desejando
mostrar que são iguais, pois não são, mas que poderão
merecer respeito, direitos e espaço, pois se tratam apenas
de diferentes formas de relações.
Mas, ainda fica uma questão: será que esses casais não
estariam buscando a adoção de crianças, para serem mais
aceitos, menos fora dos padrões, por formarem uma família
chamada “alternativa” ou “diferente” ? Há realmente
o desejo de ter filhos ou esse desejo é produzido pela
necessidade de enquadramento no padrão familiar?
O assunto é delicado, amplo e necessita de discussões
profissionais nos níveis sociais, legislativos e executivos
para o crescimento da Sexualidade Humana Brasileira.
Dra.
Sylvia Faria Marzano
Instituto
Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina
Psicossomática – ISEXP
isexp@sexp.com.br
www.isexp.com.br
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